- COMPULSÃO SEXUAL -

Uma compulsão é caracterizada por um impulso incontrolável para realizar um determinado acto. Por exemplo, o que torna a compulsão alimentar patológica não é o facto de se comer, já que é um acto saudável, mas sim quando se continua a comer mesmo sem se ter apetite. Na compulsão sexual, a pessoa concretiza o acto sexual, mesmo sem vontade, para diminuir a ansiedade sentida. Neste caso, não é o número de relações sexuais que está em jogo, pois a resposta ou "apetite sexual", varia de indivíduo para indivíduo, mas sim o que o leva a ter determinado comportamento.

 

Este termo também é conhecido como Adição/Vicio Sexual e ainda como Satiríase e/ou Ninfomania, quando se refere a homens e mulheres, respectivamente.

 

Possíveis causas

 

 - Carência afectiva vinculada a uma baixa auto-estima - são pessoas muito carentes e com a necessidade de sentirem "gostáveis". As relações sexuais são vistas como uma prova de que são aceites e desejados pelas outras pessoas. Mas este sentimento é efémero e faz com que procurem constantemente novas relações.

 

- Presença de uma situação em que a pessoa se sente impotente, como por exemplo, perder o emprego, recorrendo ao sexo como uma espécie de "bengala" para lidar com um cenário causador de angústia e fragilidade.

 

- Educação parental feita sem transmitir limites e/ou com pouco respeito entre os elementos da familia. Nestas situações, estas pessoas, não aprenderam a estabelecer uma fronteira na sua individualidade, enquanto crianças, passando a não saber respeitar o espaço delas e dos outros, quando adultos. Este tipo de desenvolvimento causa alguma insensibilidade e faz com que, estas pessoas, comecem a procurar o afecto que não tiveram por parte dos pais através de emoções cada vez mais fortes.

 

- Presença de adultos com compulsão sexual durante a infância destas pessoas. Neste caso, a excitação terá ficado associada à variedade e quantidade de cenas presenciadas, o que leva a que, quando adultos, comecem a erotizar e a repetir este padrão de comportamento.

 

- Poderá, ainda, ser uma forma de reafirmar um abuso sexual vivido no passado uma vez que, frequentemente, se envolvem em situações de risco e de desprotecção.

 

A compulsão sexual provoca uma série de alterações na vida do dependente:

 

- O quadro da compulsão sexual instala-se, normalmente, numa pessoa entre os 15 e os 20 anos - época em que se formam os padrões de comportamento e expressão sexuais. No entanto, as consequências mais destrutivas só começam a ser percebidas, em média, entre os 40 e 45 anos, quando o indivíduo geralmente já possui uma família e uma carreira profissional consolidada.

 

- O sexo começa a ser o instrumento que regula a vida emocional da pessoa. Os dias são passados a planear, calcular, imaginar e a procurar oportunidades de ter relações sexuais. Conforme o tempo passa, o nível de actividade passa a ser insuficiente para o indivíduo, fazendo com que necessite de quantidades crescentes para manter o nível de alívio emocional e tenha um comportamento cada vez mais descontrolado. Mesmo que conscientes dos riscos a que estão expostas, estas pessoas, persistem neste registo de comportamento. A frequência, extensão e duração da relação sexual geralmente excedem a intenção da pessoa.

 

- A incapacidade de autocontrole, bem como a vergonha de não ter uma vida dentro dos limites apropriados e de mentir por não se controlar são traços que compõem o perfil do dependente e intensificam o sofrimento que sente. Estas pessoas esforçam-se constantemente para parar ou, pelo menos, reduzir o hábito, mas se não conseguem aliviar a angústia com sexo, caiem no desespero. Por isso, dedicam a maior parte do tempo a procurar uma relação, negligenciando actividades sociais, ocupacionais ou recreativas importantes, como trabalhar e estar com a família e amigos. As suas decisões baseiam-se essencialmente no enfoque da sexualidade.

 

- Os viciados em sexo estão sujeitos a outras consequências ainda mais severas, entre elas a contaminação de Infecções Sexualmente Transmissíveis, perda de emprego e problemas na relação/casamento. Embora estas pessoas tenham noção que correm perigo, o que lhes importa é satisfazer a sua compulsão, independentemente da situação, local ou com quem se envolvem.

 

- Para o cônjuge de um dependente de sexo, a descoberta da existência de comportamentos compulsivos é um momento stressante e geralmente acompanhado de diversos sintomas, tais como ansiedade, depressão, irritação, raiva, pensamentos obsessivos e hipervigilância. Por outro lado, o viciado em sexo, normalmente, considera que o sexo que procura não é uma traição à sua relação/casamento.

 

- Actualmente, um dos principais meios utilizados por dependentes para ter acesso a novos parceiros e praticar sexo tem sido a Internet. Um artigo publicado em 2005, na revista Sexual Addiction & Compulsivity, afirma que "aproximadamente 20% dos utilizadores da Internet envolve-se em pelo menos um tipo de actividade sexual na rede, incluindo ver informação sobre saúde sexual, relacionamentos por chat, observação de conteúdo pornográfico e marcar encontros cara a cara".

 

 

Baseado em Psiquecienciaevida

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