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A vida sexual do casal melhora com a literatura erótica e a pornografia?


M. terá sido um dos primeiros a comprar bilhetes para o filme “As Cinquenta Sombras de Grey”, com estreia marcada para o dia dos Namorados. A ideia foi do sexólogo com o qual tem consultas regulares, juntamente com a mulher. Ela trabalha em excesso e sempre teve alguns problemas com o sexo. Raramente sente desejo e, com o tempo, o marido passou a sentir-se constrangido por insistir. Mas assim que a adaptação do livro de E. L. James foi anunciada, M. fez um acordo com o seu terapeuta: compraria bilhetes e levaria a mulher ao cinema. Com uma condição: nessa noite não poderá haver sexo, para evitar obrigações ou pressões. A menos que ela queira. Uma sondagem feita recentemente em Espanha mostra que, desde o lançamento de “As Cinquenta sombras de Grey”, a vida sexual das mulheres mudou. O inquérito da consultora TNS revela que 60% das espanholas dizem ter aprendido “coisas novas”, 35% consideram haver um antes e um depois na sua vida sexual, 33% aumentaram a frequência do sexo e 44% admitem ter experimentado novas posições. Os filmes e livros eróticos – e mesmo a pornografia – são frequentemente receitados, nos consultórios dos médicos, a casais com problemas em lidar com o sexo ou em que o desejo morreu. “Ajudam à criação de fantasias e a estimular o desejo sexual”, explica Fernando Mesquita, sexólogo. Catarina Mexia, psicóloga de casais, concorda e acrescenta que são um “forte afrodisíaco” que pode ser usado como “jogo sexual e preliminar”. Os dois especialistas avisam, porém, que estes complementos ao desejo devem ser usados com conta, peso e medida. Desde logo, a utilização deve ser consensual para ambos – especialmente no caso da pornografia, que é mais explícita e pode chocar. Além disso, é importante que aquilo que se vai ver – ou ler – faça parte das preferências de um e de outro. “Todos temos as nossas limitações no plano sexual e, se um dos elementos do casal não gostar de um tipo de pornografia ou não quiser replicar uma determinada prática que está a ver, o recurso ao erotismo e à pornografia pode ter o efeito contrário”, avisa Fernando Mesquita. Ao consultório de Catarina Mexia chegam, frequentemente, problemas devido ao consumo de conteúdos eróticos e/ou pornográficos. “São sobretudo mulheres que se queixam de que a única forma de os maridos se satisfazerem é recorrendo à pornografia em casal. Sentem que eles o fazem para se alhearem da relação sexual e não as deixam confortáveis com isso”, explica. Por isso, dialogar sobre a vontade e as preferências dos dois é fundamental. O casal deve sentir--se confortável com as suas escolhas. Cuidado com as comparações O recurso aos conteúdos eróticos – e sobretudo da pornografia – não é, por outro lado, recomendável a homens inseguros. A psicóloga de casais Catarina Mexia chama a atenção para o facto de a ficção superar sempre a realidade: “Nos filmes pornográficos, as performances sexuais são claramente exageradas e a anatomia dos actores é escolhida a dedo.” Assim, se o homem for inseguro quanto à performance e ao tamanho do pénis, os resultados podem ser catastróficos. “Pode resultar até num retraimento enorme e mesmo em impotência de natureza psicológica”, alerta a especialista. Quando um casal recorre ao erotismo e à pornografia deve evitar toda e qualquer comparação com o que está a ver, de maneira a não desencadear sentimentos de inferioridade. Outro resultado frequente é a idealização exagerada do corpo do homem ou da mulher que se tem em casa, devido aos modelos usados nos filmes. “A pornografia passa a ser um problema quando o homem ou a mulher só consegue sentir desejo pelo tipo de anatomia que vê nos conteúdos pornográficos e eróticos”, explica Fernando Mesquita. Se o consumo da pornografia no casal for “consentânea” e o tipo de filmes for escolhido pelos dois, a vida sexual sai a ganhar. Mas há que ter em atenção a frequência com que se recorre a estes acessórios do desejo. “Não é aconselhável que um casal veja pornografia ou leia livros eróticos sempre”, recomenda o especialista. E quando um casal só consegue sentir desejo perante este género de estímulos, tem claramente um problema. O mesmo se aplica quando se vê pornografia de forma solitária: “Existe um desequilíbrio quando a pessoa, mesmo tendo a hipótese de ter sexo com alguém, prefere satisfazer-se, e só consegue fazê-lo, graças ao estímulo da pornografia”, avisa o sexólogo. Neste campo, defende Fernando Mesquita, a internet – com a disponibilização de todo o tipo de conteúdos de forma gratuita – veio aumentar as adições sexuais. “O importante é que as pessoas nunca percam a capacidade de fantasiar e, sobretudo, de estar com o outro”, remata. Como consumir Cada casal tem a sua forma de estar na sexualidade e os seus mecanismos de excitação. Por isso, não existe uma fórmula universal. “Importa que os dois concordem e o façam sempre que queiram”, aconselha Catarina Mexia. O sexólogo Fernando Mesquita defende a adequação dos conteúdos às preferências comuns do casal: “Hoje existe todo o tipo de erotismo e de pornografia, basta escolher.” Desde livros eróticos a filmes explícitos, importa que os dois estejam de acordo. E o consumo é recomendado também individualmente. “Ver um filme erótico ou ler livros e revistas mais atrevidas leva a pessoa a pensar em sexo, o que ajuda na falta de desejo e beneficia o casal”, diz o sexólogo. No caso dos filmes, há casais que optam por produções caseiras. E não é preciso, sequer, passar à prática. O sexólogo recomenda que os dois escrevam, em conjunto, um argumento de um filme que gostariam de ver ou de experimentar. No caso de se passar do exercício ao acto, filmando as fantasias, nunca é demais recordar os cuidados óbvios. “É conveniente apagar. Hoje, a relação pode estar bem, mas daqui a uns tempos não se sabe”, avisa Fernando Mesquita.

Fonte: Jornal I online

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