Entrevista a Fernando Mesquita


Fernando Mesquita psicólogo de formação, especialista em sexologia, fala aos leitores da Revista Progredir, sobre a receita para um relacionamento mais feliz.

Progredir: Se tivesse que elaborar um pitch, o que diria sobre si? Fernando Mesquita: Sou uma pessoa que gosta de aproveitar cada momento da vida. Que adora o que faz profissionalmente e que acredita que o conhecimento é a maior fonte de energia. Penso que a necessidade de conhecimento é o que nos leva a querer ser melhores. A necessidade de conhecermos o que está dentro e fora de nós. Quando acreditamos que já sabemos tudo, ou que somos “especialistas” de alguma coisa, caímos na ignorância. Por isso mesmo, aproveito cada dia para descobrir algo de novo … no mundo que me rodeia e em mim mesmo. Tento, a cada momento, viver o momento presente. Apreciar o que está a acontecer no aqui e agora. Progredir: Agora a sério, fale-nos um pouco de si, quem é Fernando Mesquita? Fernando Mesquita: Nasci em Nova Lisboa (Angola) em 1973 e vim para Portugal em 1974. Após a licenciatura em Psicologia Clínica fiz o estágio no Núcleo de Saúde Infantil e Juvenil do Hospital de Santa Maria mas, apesar de ter adorado trabalhar com crianças, optei por enveredar pelo trabalho com adultos. Por isso tirei o Mestrado em Sexologia, seguindo-se uma pós-graduação como Sexologista, pela American Board of Sexology, e uma formação para o grau de Terapeuta Sexual, pela Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica (SPSC). Além disso, tenho complementado os meus conhecimentos com várias formações destacando-se uma pós-graduação em Psicoterapia Cognitivo Comportamental e Psicoterapia EMDR. Tenho colaborado em várias formações e workshops, e participado em diversas rubricas de revistas e de programas de TV, como psicólogo/sexólogo, destacando-se a “Mesa de especialistas sobre Mitos & Verdades do Corpo Humano”, no programa “Você na TV”, da TVI. Em 2015 fui co-autor do livro “SOS Manipuladores”, pela Esfera dos Livros.


Progredir: Porquê seguir a área da sexualidade? Fernando Mesquita: Penso que é uma área pouco abordada em qualquer formação superior. É impressionante como a maioria dos cursos de psicologia relega a sexualidade para segundo plano, apesar da inegável importância que a mesma tem para o bem-estar físico e psicológico de todos nós. Progredir: Ainda é tabu falar de sexualidade em Portugal? Fernando Mesquita: Penso que ainda subsistem muitos mitos e tabus que dificultam a capacidade dos portugueses viverem a sexualidade de uma forma saudável. Acredito que apesar de muitas pessoas já procurarem ajuda por problemas sexuais, muitas ainda ficam em casa por vergonha ou tabu em falarem sobre o assunto com um profissional. Infelizmente, muitas destas pessoas permitem que um problema, que poderia ser facilmente ultrapassado, as acompanhe para toda a vida e tenha um impacto, muitas vezes, destrutivo para as próprias e os companheiros.


Progredir: Fale-nos do seu ultimo livro "Aprender a A.M.A.R"? Fernando Mesquita: “Aprender a A.M.A.R.” é o resultado de vários anos da minha experiência clínica enquanto terapeuta sexual e conjugal. Nele revelo alguns casos reais de pessoas que procuraram ajuda, devido a algum problema na relação (com os outros ou com elas mesmas), e algumas ferramentas usadas por terapeutas para ajudar nestes casos. Por isso mesmo, a primeira parte do livro tem o nome “Aprender a AMAR-SE”, pois acredito que só podemos amar alguém plenamente quando nos amamos a nós mesmos. Nesse sentido são apresentados alguns exercícios de autodescoberta e mindfulness, usados em terapia, para que as pessoas consigam identificar os obstáculos à capacidade de autoaceitação e potenciar um maior desenvolvimento pessoal. A segunda parte dedica-se a “Aprender a A.M.A.R.”, numa perspetiva virada para o outro.


Progredir: Qual na sua opinião a receita eficaz para uma relação mais saudável e feliz? Fernando Mesquita: Em primeiro lugar é importante reconhecer que um casal feliz não tem obrigatoriamente de andar a rir a toda a hora! Até os amantes mais felizes, tal como todos os outros casais, passam por momentos difíceis. No entanto, os casais felizes são aqueles que têm a capacidade de ver as dificuldades como desafios e não como obstáculos inultrapassáveis. Em termos genéricos podemos dizer que os casais felizes são aqueles que têm capacidade para manter equilibrados os 4 pilares de uma relação amorosa: Agir, Motivar, Aceitar e Respeitar, ou seja aqueles que sabem A.M.A.R., onde: Agir — corresponde à capacidade de investir na relação, ou seja de não ficar de braços cruzados à espera que a solução dos seus problemas (e da relação) caia do céu! Motivar — é a capacidade de observar, reforçar e acentuar as qualidades mútuas, ao invés dos parceiros se tornarem detetives dos defeitos um do outro! Aceitar — implica a capacidade de aceitar o parceiro na sua essência e não ficar preso a uma projeção que se criou dele (geralmente formada na fase da paixão) Respeitar — é a capacidade de lidar com as diferenças! Uma relação onde não existe respeito é uma relação sem amor. O respeito é o aspeto fundamental de qualquer relação!

Progredir: O tema deste mês da Revista Progredir é “Fé”. Será a fé um fator importante para a nossa capacidade de amar? Fernando Mesquita: Se considerarmos “Fé” como um sentimento de confiança em algo ou alguém, sem dúvida que é um fator muito importante no amor. O Respeitar (um dos 4 pilares fundamentais das relações amorosas saudáveis/felizes, apresentado no livro “Aprender a A.M.A.R.”) tem por base a Confiança, a Sinceridade, a Fidelidade e a Lealdade. Porém, é importante não confundir “Fé” com “Dependência” ou “Submissão”. Muitas pessoas tornam-se dependentes ou submissas dos parceiros por terem “fé” que este, mais tarde ou mais cedo, vai mudar e assim permitem ser mal-amadas e/ou mal tratadas ao longo de vários anos, ou até toda a vida. Isso pode ser tudo mas, certamente, não é amor!

Progredir: Uma mensagem para os nossos leitores? Fernando Mesquita: “Vivemos numa época que privilegia o prazer imediato, instantâneo e descartável. Andamos iludidos com a crença de “não há tempo a perder”, ou que “tempo é dinheiro”. Parecemos o coelho branco do conto da Alice no País das Maravilhas, sempre apressados, não se sabe bem para quê! Não investimos suficientemente nas coisas, nas relações, nas pessoas, ou em nós mesmos! É impressionante como existem tantas pessoas que sabem como funcionam os carros, os computadores, a internet e uma imensidão de outras coisas, mas que sabem tão pouco, ou quase nada, sobre elas mesmas! Conhecem apenas o seu próprio casulo, que é o aspeto físico, mas desconhecem o que está no seu interior.” Espero que este livro ajude todos os leitores a acreditarem no amor! (No amor próprio e nos outros)


Fonte: Revista Progredir


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